“Não há diferença entre tráfico e milícia”, diz secretário de Polícia Civil do Rio

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Nas redes sociais, o secretário de Polícia Civil do Rio, Marcus Amim, comparou a semelhança entre a atuação do tráfico e da milícia, em referência ao caso do criminoso que exigiu R$ 500 mil para permitir a realização de obras de construção do Parque Piedade, na zona norte do Rio de Janeiro.

“Algumas pessoas, ignorando a realidade carioca/fluminense, acharam que se tratava de uma extorsão de grupos paramilitares. Esse caso é mais uma prova que hoje, no Rio de Janeiro, não há mais diferença entre tráfico e milícia”, escreveu o secretário.

A cobrança, feita diretamente à empreiteira responsável pelo canteiro de obras, foi denunciada pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), na última terça-feira (9), também pelas redes sociais.

Nesta quinta (11), a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), informou que identificou e pediu a prisão do responsável pela extorsão. Ele é Jean Carlos Nascimento dos Santos, conhecido como Jean do 18, em referência à comunidade em que atua, o Morro do Dezoito, também na zona norte da capital fluminense. Jean, que é líder do tráfico na região, já era procurado por trafico de drogas, assalto a mão armada e homicídio qualificado.

Também na quinta, a Polícia Militar fez uma operação para combater as extorsões de criminosos à empreiteiras na região do entorno do Parque Piedade.

O tráfico e a milícia

O tráfico de drogas começou a tomar forma no Rio no fim da década de 1970 e se expandiu nos anos 80. Com o tempo, desavenças levaram à criação das facções criminosas, segundo pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF).

A partir dos anos 2000, policiais e ex-policiais deram origem às milícias, quando passaram a oferecer segurança aos moradores de comunidades sob domínio de traficantes. Começou a cobrança de taxa de proteção e de serviços, como internet e gás, e a expansão de territorial de atuação.

Uma pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF mostrou que o grupo cresceu rapidamente. As milícias já controlavam, em 2019, 25,5% dos bairros do Rio. Enquanto isso, facções ligadas ao tráfico de drogas, existentes há mais tempo, ocupavam menor espaço.

Ainda em 2019, o Comando Vermelho, que já existia há mais de 10 anos, ocupava 24,2% dos bairros. O Terceiro Comando atuava em 8,1% e Amigo dos Amigos (ADA), em 1,9%.

Mapa elaborado pela UFF mostra domínio de grupos criminosos no Rio de Janeiro
Mapa elaborado pela UFF mostra domínio de grupos criminosos no Rio de Janeiro / Reprodução

O Mapa dos Grupos Armados do Rio de Janeiro indicou, ainda, que o poderio das milícias é maior que o de todas as facções juntas quando analisada a extensão territorial. São 686,75 quilômetros quadrados, equivalente a 57,5% do território da capital, nas mãos da milícia. Comando Vermelho, Terceiro Comando, e ADA têm, respectivamente, 11,4%; 3,7% e 0,3% desse domínio.

Pouco mais de um quarto do território (25,2%) ainda está em disputa. Segundo o Mapa, pelo menos 4,4 milhões de pessoas moram hoje em áreas controladas por grupos criminosos no Grande Rio.

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Fonte: CNN

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