Sérvio procurado pela Interpol era “matador de aluguel” e se escondia no Brasil

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A Polícia Civil concluiu que o homem morto a tiros em Santos, no Litoral de São Paulo, e se dizia da Eslovênia, tinha nacionalidade sérvia e era procurado há dez anos pela Interpol. A investigação visa identificar o autor dos disparos e esclarecer se o crime tem relação com os homicídios múltiplos cometidos no Leste Europeu.

Em coletiva nesta quinta-feira (11), o delegado Luiz Ricardo Lara Dias Júnior, titular do 3° Distrito Policial (DP) de Santos, detalhou que o homem executado na última sexta-feira (05) apresentava documentos falsos e vivia clandestinamente no Brasil.

“É uma reviravolta na investigação. A sua morte pode de alguma maneira guardar relação com os crimes que ele cometeu no passado”, Luiz Ricardo Lara Júnior, delegado de polícia do 3º Distrito Policial de Santos.

Análise de digitais revelou identidade

Nos crimes contra a vida, a Polícia Civil busca, como primeiro passo, esclarecer as motivações do crime e, para isso, inicia as investigações com a identificação da vítima e seu passado. Nesse ponto, os agentes encontram “incongruências”:

  • O passaporte esloveno de “Dejan Kovac” não possuía carimbo de entrada no Brasil, apenas de saída do país, em 2014.
  • O filho da vítima, de quase quatro anos, não tem o nome do pai no documento de identificação.
  • A vítima não possuía atividade remunerada no Brasil e, segundo a esposa, recebia dinheiro dos familiares comerciantes da Europa.

Em apuração na rede mundial de computadores, as autoridades compararam a fotografia da vítima com outras buscadas e encontraram Darko Geisler, de 43 anos, com traços fisiológicos semelhantes. De origem sérvia, Darko, procurado internacionalmente por integrar uma organização criminosa, é acusado de participação em homicídios múltiplos, porte de armas e porte de explosivos em Monte Negro, nação que fazia parte da antiga Iugoslávia.

“Com a participação e apoio da Diretoria de Cooperação Internacional (DCI) da Polícia Federal (PF), as autoridades de Monte Negro nos enviaram as impressões digitais da pessoa, que era investigada naquele país”, conta o delegado Luiz Ricardo Lara Júnior à CNN.

As análises pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol) atestam que a impressão digital da pessoa investigada em Monte Negro é a mesma pessoa vítima de homicídio, em Santos.

As autoridades de Monte Negro ainda informaram à polícia que o passaporte apresentado pela vítima havia sido extraviado em 2017 e que o documento já pertence a outra pessoa.

Crimes no Leste Europeu e vinda ao Brasil

Desde 2014, Darko Geisler está na difusão vermelha da Interpol, sistema que permite o foragido de um Estado de ser preso em qualquer um dos 186 países filiados à organização internacional de cooperação policial.

Os policiais informam que o homem é acusado de ser “matador de aluguel” na Europa e integrante de facções criminosas. Há 10 anos ele tem um mandado de prisão internacional por homicídios múltiplos e porte de arma e explosivos.

O homem teria supostamente fugido de Montenegro ao final de 2014, logo após praticar um homicídio no país, e viajado à Bósnia. Desde então a polícia de Monte Negro não teve mais notícias. A investigação acredita que, em seguida, ele passou a se esconder no Brasil.

Darko conheceu a esposa em 2016, na capital paulista, e passou a viver com ela na Baixada Santista a partir de 2017. Em depoimento, a mulher contou desconhecer o passado do marido e que ele recebia dinheiro de um irmão no Leste Europeu. O casal tem um filho de quase quatro anos.

Relembre o assassinato

Na última sexta-feira (05) o homem foi executado quando foi surpreendido por um atirador que efetuou seis disparos contra ele, próximo ao condomínio em que morava na Rua São José, em Santos. A vítima foi socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

As imagens de câmera de segurança mostram a vítima com sua bicicleta (com o filho na cadeirinha) sendo acompanhado pela esposa até a residência quando acontecem os disparos.

Os investigadores seguem na busca de identificação do atirador e no esclarecimento da motivação do crime.

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Fonte: CNN

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